Quae est ista quae ascendit de deserto, deliciis affluens, innixa super Dilectum suum? Quem é esta que sobe do deserto cheia de delícias e apoiada em seu Amado?

domingo, 14 de outubro de 2012

Os Pais da Igreja sobre a virgindade de Maria


O reconhecimento da virgindade de Nossa Senhora sempre foi professado e repetido pelos Padres da Igreja, não obstante os protestantes querem nos fazer crer, com citações fora de exatidão, que muitos admitiam que ela tivesse perdido o que de miraculoso se preservou nela. Chegam nas afirmações mais extremas e enfatuadas dizer que isso foi muito disputado entre os Pais primitivos. Esse trabalho, então, tem o intuito de transcrever o verdadeiro pensamento dos preservadores da Tradição e de refutar as menções indevidas feitas por nossos irmãos evangélicos.
Santo Irineu (130 — 203):
"Como por uma virgem desobediente foi o homem ferido, caiu e morreu, assim também por meio de uma virgem obediente à palavra de Deus, o homem recobrou a vida. Era justo e necessário que Adão fosse restaurado em Cristo, e que Eva fosse restaurada em Maria, a fim de que uma virgem feita advogada de uma virgem, apagasse e abolisse por sua obediência virginal a desobediência de uma virgem." (Contra Heresias L. 5, 19.1)
Santo Hipólito de Roma (170 — 236):
"...corpo de Maria toda santa, sempre virgem, por uma concepção imaculada, sem conversão, e se fez homem na natureza, mas em separado da maldade: o mesmo era Deus perfeito, e o mesmo era o homem perfeito, o mesmo foi na natureza em Deus, uma vez perfeito e homem." (As obras e fragmentos. Fragmento VII)
Orígenes de Alexandria (185 — 253):
"Mas, seguindo a tradição que está registrado no Evangelho segundo São Pedro ou no livro de Tiago, eles dizem que há alguns irmãos de Jesus, os filhos de José por uma ex-mulher, que vivia com ele antes de Maria. Agora aqueles que dizem por assim desejarem preservar a honra de Maria na virgindade até o fim, de modo que o organismo dela, que foi designada para ministrar a Palavra que diz: "O Espírito Santo descerá sobre ti, e o poder do altíssimo deve ofuscar a ti ", pode não ter tido relação sexual com um homem depois que o Espírito Santo veio ela e o poder do alto a tivesse ofuscado. E eu acho que em harmonia com a razão que Jesus era o fruto primeiro entre os homens da pureza, que consiste na castidade, e Maria entre as mulheres, pois não foram piedosos atribuir a qualquer outro do que o seu fruto primeiro da virgindade."(Comentário ao Evangelho de Mateus x. 17)
"Para, se Maria, como aqueles que declaram, com exaltar sua mente sã, não tinha outro filho, mas Jesus, e ainda Jesus diz para sua mãe, "Mulher, eis aí teu filho", e não "Eis que você tem esse filho também" " (Comentário ao Evangelho de João, Livro 1, 6)
"Sobre este assunto, eu encontrei uma observação muito bem em uma carta do mártir Inácio, segundo bispo de Antioquia depois de Pedro, que lutou com as feras, durante a perseguição em Roma. A virgindade de Maria estava escondida do príncipe deste mundo, graças a José e escondido seu casamento com ele. Sua virgindade foi mantida escondida porque ela foi pensada para ser casado. (Homilias sobre Lucas, 6, 3-4.)
São Gregório de Neucaesarea (213 — 270):
"Para a santa Virgem guardado cuidadosamente a tocha da virgindade,  e deu ouvidos diligentemente que não deveria ser extinto ou contaminado." (The Second Homily. On the Annunciation to the Holy Virgin Mary)
São Pedro de Alexandria (+ 311):
"...que tem o nome de Leucado, eles vieram para a igreja da mãe mais abençoada de Deus e sempre Virgem Maria, que, como se começou a dizer, ele tinha construído no oeste..." (Episolæ)
Santo Atanásio de Alexandria (295 — 373)
"Portanto, que aqueles que negam que o Filho do Pai, por natureza, e é adequado a esta essência, negam também que Ele tomou verdadeiro humano da Sempre Virgem Maria..." (Contra Arianos, cap 21)
Hilário de Poitiers (300 — 368):
"Se eles [os irmãos do Senhor] foram filhos de Maria e não tomados de casamento anterior de José, ele nunca teria sido entregue no momento da paixão [crucificação] para o apóstolo João, sua mãe, o Senhor dizendo: a cada um, 'Mulher, eis aí teu filho', e João, "Eis a tua mãe '[João 19:26-27), como ele legou o amor filial a um discípulo como um consolo para a desolação" (Comentário sobre Mateus 1 : 4 )
Santo Efrem da Síria (306 — 373):
"Em sua virgindade Eva colocou as folhas de vergonha: Sua mãe colocou na sua virgindade a roupa da Glória que é suficiente para todos." (Hino da Natividade, hino 12)
"O que teria sido possível que aquela que foi a residência do Espírito, que foi ofuscada pelo poder de Deus, tornou-se uma mulher mortal, e ela suportou a dor, de acordo com a maldição em primeiro lugar? [...] A mulher que dá à luz na dor não poderia ser chamado abençoado. O Senhor, que veio com as portas fechadas, e fora do seio virginal, porque isso realmente virgem deu à luz sem sentir dor "  (Efren, Diatessaron, 2,6: SC 121,69-70, cf. . ID, Hímni de Nativitate, 19,6-9: CSCO 187,59)
Santo Epifânio (310 — 403):
"De onde vem esta perversidade? De onde é que irrompeu tamanha audácia? Porventura o próprio nome não é suficiente atestado? Quem jamais houve, em tempo algum, que ousasse proferir o nome de Maria e espontaneamente não lhe acrescentasse a palavra virgem? O nome de Virgem foi dado a Santa Maria, nem se mudará nunca, ela sempre permaneceu ilibada (Panarion, Contra os hereges).
Dídimo, o cego (313 — 398):
"Nada fez Maria, que é honrada e louvada acima de todas as outras: não se relacionou com ninguém, nem jamais foi Mãe de qualquer outro filho; mas, mesmo após o nascimento do seu filho [único], ela permaneceu sempre e para sempre uma virgem imaculada". (A Trindade 3,4)
São Cirilo de Jerusalém (315 — 386):
"o Unigênito do Único, Jesus Cristo, nosso Senhor, a produção, de acordo a carne, do ventre de São Maria, Virgem perpétua, em cuja santa casa somos eu reunidos neste dia para comemorar o dia de sua morte. " (Homilias sobre a Dormição)
São Basílio de Cesareia (329 — 379):
"Os amigos de Cristo não toleram ouvir que a Mãe de Deus deixou de ser virgem num determinado momento" (Homilia Em Sanctum Christigenerationem, 5)
São Gregório de Nissa (330 — 395):
"Pois se José a tomou como sua esposa com o proposito de ter filhos, por que ela ficou pensando sobre o anuncio de sua maternidade, se ela mesma aceitou o fato de se tornar mãe de acordo com a lei da natureza? Mas assim como era necessário Guardar o corpo da consagrada a Deus como oferenda intocada e Espírito Santo, por esta mesma razão, ela afirma, mesmo se você é um anjo que desceu do céu e mesmo que este fenômeno está além da capacidade dos homens, no entanto, impossível para mim conhecer homem. Como devo tornar-me mãe sem conhecer homem? Pois, embora considere um José para ser meu marido, ainda assim não conhecerei homem" (Sobre a Geração de Santo Cristo, 5)
Santo Ambrósio de Milão (340 — 397):
"Hove quem negasse que Maria tivesse permanecido virgem. Desde muito temos preferido não falar sobre este tão grande sacrilégio. Maria (...) que é mestra da virgindade, (...) não podia acontecer que aquela que em si tinha trazido Deus , resolvesse andar às voltas com um homem. Nem José, varão justo, cairia nessa loucura de querer misturar-se com a mãe do Senhor, em relação carnal".( De Inst. Virg. I , 3).
Rufino de Aquileia (340 — 410):
"A porta que estava fechada (Ezech. 44,2) foi a sua virgindade, través dela o Senhor Deus de Israel entrou, por isso Ele avançou a este mundo através do ventre da virgem. E, porque a sua virgindade foi preservada intacta, portão da Virgem permaneceu fechado para sempre ". (Comentário do Credo dos Apóstolos, 9)
Santo Agostinho (354 — 430):
"Virgem que concebe, virgem que dá à luz, virgem grávida, virgem que traz o feto, Virgem perpétua"(Sermão CLXXXVI, 1, 1)
“Concebeu-O [a Cristo Jesus] sem concupiscência, uma Virgem; como Virgem deu-lhe à luz, Virgem permaneceu” (Sermão sobre a Ressurreição de Cristo, segundo São Marcos, PL XXXVIII, 1104-1107).
São Jerônimo (347 — 420):
"Rogo também a Deus Pai para que demonstre que a mãe de Seu Filho - que se tornou mãe antes de se casar - permaneceu Virgem ainda após o nascimento de seu Filho." (Contra Helvídeo, sobre a virgindade perpétua de Maria, cap II)
São João Cassiano (360 — 435):
"Por isso, confesso que o nosso Deus e Senhor Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus, que por sua própria causa foi gerado do Pai antes de todos os mundos, quando ao tempo ele  por nossa causa se fez homem através do Espírito Santo e da sempre Virgem Maria, era Deus em Seu nascimento, e enquanto confessamos as duas substâncias, da carne e da Palavra." (Sobre a Encarnação de Cristo contra Nestório, L. VII, 5)
São Cirilo de Alexandria (375 — 444):
"Salve, vaso puríssimo da temperança, a ti virgem, confiou, na cruz, nosso Senhor Jesus Cristo a Mãe de Deus, sempre virgem!" (Discurso em Concílio de Éfeso)
São Máximo, o Confessor (580 — 662):
"O nascimento e a adolescência daquela que concebeu e deu à luz - evento impensável, incompreensível, inefável! - ao Filho de Deus, o Verbo, Rei e Deus do Universo, já haviam sido mais maravilhosos que tudo o que se pode ver na natureza. Desde então, todos os dias de sua inteira existência, mostrou um estilo de vida superior à natureza [...] Logo, no caminho de sua fatigosa tarefa, sofreu e suportou muitas tribulações, provas, aflições e lamentos durante a Crucifixão do Senhor, alcançando uma completa vitória  e obtendo coroas de triunfo, até ao ponto de ser constituída a Rainha de todas as criaturas[...] A Virgem não só  animava e ensinava aos santos apóstolos e aos demais fiéis a ser pacientes e suportar as provas, senão que era solidária com eles em suas fadigas, lhes sustentava na pregação, estava em união espiritual com os discípulos do Senhor em suas privações e suplícios, em suas prisões[...] Depois da partida de João, o Evangelista, São Tiago, o filho de José, também chamado «irmão do Senhor», tomou a seu cuidado a santa Mãe de Cristo [...]" (Vida da Virgem)
Santo Ildefonso de Toledo (606 — 667):
“Tua pureza fica salva no anúncio sobre tua prole; tua virgindade encontra segurança no nome de teu filho, e assim permaneces honesta e íntegra depois do parto” (A virgindade perpétua de Santa Maria)
São João Damasceno (676 — 749):
"Tendo levado uma vida casta e santa, engendrastes a jóia da virgindade, aquela que deveria permanecer Virgem antes, durante e depois do parto, a única sempre Virgem de espírito, de alma e de corpo." (Homilia sobre a Natividade de Maria, 5)
Poderia acrescer com os santos Papas que defenderam o mesmo nesse período, mas não o farei, dando esse gostinho aos protestantes, evito que venham com mais desculpas.
Os protestantes também têm sua própria lista, é melhor chamá-la de pretensa lista, de citações de Pais da Igreja. Os citados quando não têm seus textos falseados são os hereges que só, por isso, não merecem nenhuma atenção. Os mencionados são: Santo Irineu, Tertuliano, Santo Eusébio, Santo Epifânio, Hegesipo, Helvídeo, Vigilâncio, Joviniano e Nestório. Conheçamos cada um deles.
Comecemos com Sto Irineu. Sua citação que encabeça os Pais citados por mim derruba qualquer interpretação contrária a sua virgindade.
Tertuliano é um caso particular, primeiramente defensor assíduo da fé cristã, depois no fim da vida acaba por se tornar um herege montanista. Santo Agostinho nos informa que Tertuliano, por fim, acaba por fundar uma seita própria, o próprio Santo Agostinho diz ter trazido de volta ao seio da Igreja seus últimos adeptos. [Os Padres da Igreja (séc I - IV) Jacques Liébaert]
Leiamos, antes, algumas de suas afirmações claramente hereges:
"O conhecimento e a defesa do Paráclito nos (nós montanistas) separam dos psíquicos (isto é, dos membros da Igreja Oficial)"
"A Igreja é propriamente e sobretudo o Espírito mesmo, em que reside a Trindade da única divindade, Pai, Filho e Espírito Santo. É ele que reúne essa Igreja que o Senhor estabeleceu nos três. Por isso, desde então, todo grupo de pessoas reunidas nessa fé constitui uma Igreja para o Autor e Consagrador" (Sobre a Castidade XXI,17)
Agora, sobre a virgindade o texto em questão é o seguinte:
"Uma Virgem deu à luz Cristo, e casou-se unicamente depois do nascimento deste. Para que fosse possível louvar no nascimento de Cristo os dois tipos de castidade: ser filho de uma mãe virgem que apenas conheceu um homem" (De Monogamia 8)
Mas pasmem! O mesmo acreditava que Maria perdeu a virgindade ao dar a luz, o que destrói a fé cristã e não passa de uma repetição da desculpa dos judeus para não aceitarem Jesus Cristo:
"Pariu porque deu à luz um descendente da própria carne; não o deu enquanto não o fez por intervenção humana. Foi virgem com respeito ao marido, mas não com relação ao parto. (...) A mesma que deu à luz o fez verdadeiramente. Foi virgem quanto à concepção, não quanto ao parto. (...) O seio da Virgem abriu-se de modo especial, porque de modo especial havia sido selado" (De Carne Christi 23)
Definitivamente Tertuliano não é uma boa fonte contra a Igreja e chega ser desonesto usá-lo. Sobre ele São Jerônimo nem perdeu tempo, apenas disse: “De Tertuliano não direi senão que não pertenceu à Igreja.” (A Virgindade Perpétua virgindade de Maria IV, 19)
Com relação a Santo Eusébio não passa de uma falta de atenção de seus leitores. Não leram sua obra completamente, pegaram trechos isolados e já tiraram a conclusão. Citam as partes onde ele chama Tiago, primo de Jesus ou um dos filhos de José, de irmão do Senhor. Ora, isto não é novo, assim é chamado na própria Bíblia. Na verdade os Pais da Igreja continuaram a identificá-lo como irmão do Senhor, mesmo sabendo que não eram filhos de Maria, preservaram o semitismo que remonta as próprias traduções dos apóstolos. São vários os concílios da Igreja que continuaram a identificar Tiago assim, mesmo já promulgado o dogma da virgindade de Maria. No próprio Concílio de Trento isso é feito. (Cf.  14ª sessão – unção dos enfermos, cap 1). E como prova do que estou falando vejamos o que em outros capítulos de Santo Eusébio é explicado:
"Então Tiago, a quem os antigos sobrenome o Justo por conta da excelência da sua virtude, é lembrado por ter sido o primeiro a ser feito bispo da igreja de Jerusalém. Este Tiago foi chamado de irmão do Senhor, porque ele era conhecido como um filho de José, e José era suposto ser o pai de Cristo, porque a Virgem, sendo prometida a ele, foi encontrada com o filho pelo Espírito Santo antes de chegarem juntos, Mateus 1:18 como a conta dos shows santos Evangelhos". (HE III 1,2)
Vemos aí que Sto. Eusébio relata que Tiago era conhecido como um filho de José, só José. Se achasse que fosse filho de Maria seria inútil sua explicação. Ele segue uma antiga tradição que encontramos, inclusive, no Proto-Evangelho de Tiago do ano 150.
Eusébio citando Clemente escreve:
"Clemente, no livro VI das Hypotyposeis, adiciona o seguinte: "Porque -dizem - depois da ascensão do Salvador, Pedro, Tiago e João, mesmo tendo sido os preferidos do Salvador, não tomaram para si esta honra, mas elegeram como bispo de Jerusalém Tiago o Justo."
E o mesmo autor, no livro VII da mesma obra, diz ainda sobre ele o que segue:
"O Senhor, depois de sua ascensão, fez entrega do conhecimento a Tiago o Justo, a João e a Pedro, e estes o transmitiram aos demais apóstolos, e os apóstolos aos setenta, um dos quais era Barnabé.
Houve dois Tiagos: um, o Justo, que foi lançado do pináculo do templo e morto a golpes com um bastão; e o outro, o que foi decapitado." Também Paulo menciona Tiago o Justo quando escreve: Outro apóstolo não vi além de Tiago, o irmão do Senhor." (HE II, 1)
Nesta, cita um Pai da Igreja, que identifica Tiago como irmão do Senhor, mesmo deixando claro que esse é um dos apóstolos. Os dois apóstolos chamados Tiago na Bíblia não são filhos de Maria, mãe de Jesus, um é filho de Zebedeu, o Tiago maior, enquanto o outro de Alfeu, o Tiago menor, que provavelmente era filho de Maria de Cléofas.
Então, ao contrário do que uma leitura superficial e isolada de seus escritos pode deixar parecer, ele acreditava na virgindade perpétua de Maria.
Santo Epifânio, é mais um em que as citações acima não deixam dúvidas.
Seguindo para Hegésipo, o trecho em questão é este:
"Da família do Senhor ainda estão vivos os netos de Judas, que acredita-se que tenha sido irmão do Senhor pela carne.."
Podemos tirar disso apenas que Judas era dito irmão do Senhor pela carne, nada mais.
Ao trecho as seguintes formas de respostas seriam satisfatórias:
1. Os que acreditavam nisso eram os acusadores. Nada impede que os acusadores de Judas, que pelo o que parece não eram cristãos, acreditassem que Jesus era filho de José e de Maria, pois se não eram cristãos não tinham porque crer em sua virgindade mesmo no parto.
2. É dito irmão do Senhor pela carne não de Maria, mas de Davi. Eusébio, realmente, diz que acusavam Judas "com base em sua linhagem vinda de Davi e sua relação com o próprio Cristo" (HE III, 19) E Hegésipo no mesmo registro acrescenta: "Foram passadas informações de que eles seriam da família de Davi e eles foram levados até o imperador Domiciano pelo Evocatus..."
3. O uso de irmão deve ser levado em conta segundo o semitismo usado, e a ênfase "em carne", para mostrar que não era irmão do Senhor segundo o espírito apenas. Como foi dito: "E se deve ver um estranho, que o levou sob o seu teto e se alegram por ele como mais um irmão de verdade, porque lhes chamar irmãos, não segundo a carne, mas segundo a alma." (Aristides, desculpa 15,6, escrevendo aos cristãos). Um exemplo do uso é quando Jesus é dito filho de Davi ou descendente segundo a carne, isto não quer dizer que seja direto, mas segundo a carne de Maria. Assim como nos explica Tertuliano:
"Sed et Paulus, eiusdem utpote evangelii et discipulus et al magister testículo quia apostolus eiusdem Christi, confirmat Christum ex Semine secundum carnem David, ipsius Utique. ergo ex Semine David caro Christi. sed secundum carnem Mariae ex Semine David, ergo est Mariae ex carne dum est Semine ex Davi." (Na carne de Cristo 22,3)
O fato do acréscimo “da carne” não significa muito. O próprio Concílio Quinissexto de 692 identifica Tiago, outro irmão apontado pelos protestantes, de forma parecida: "Pois também Tiago, o irmão,segundo a carne, de Cristo nosso Deus, a quem o trono da igreja de Jerusalém primeira foi confiada, e Basílio, o arcebispo da Igreja de Cesaréia, cuja glória se espalhou por todo o mundo, quando nos deu instruções para o sacrifício místico, por escrito, declarou que o Santo Cálice está consagrado na Divina Liturgia com água e vinho." (CÂNON XXXII) Só como curiosidade, esta é a mais antiga referência explícita à liturgia de Tiago que diz: "Fazemos memória de nossa Santíssima, Imaculada, e gloriosíssima Senhora Maria, Mãe de Deus e sempre Virgem". A terceira alternativa me parece mais óbvia.
O próximo é Helvídeo, que fundamentado num herege, Tertuliano, numa interpretação literal da Bíblia e por mal interpretar outro Pai da Igreja, negou a virgindade de Maria. São Jerônimo fez uma bela refutação às suas tentativas frustradas. Vale a pena a leitura, que dispensa meus comentários.
Sigo para Vigilâncio, que também não tinha um bom currículo. É outro que foi refutado por S. Jerônimo. Entre suas heresias, além da de negar a virgindade perpétua de Maria, cita-se:
1. Era contra o culto aos mortos.
2. Pensava que os mortos dormiam ao que levou S. Jerônimo a chamá-lo de “Dormilâncio” (cF. Contra Vigilâncio CAP II)
3. Chamava as velas de insignificantes.
4. Sobre as relíquias dos mártires diz: "um pouco de pó miserável, envolto em panos caros"
5. Usava como fonte doutrinal um livro apócrifo, que não era recebido, obviamente, pela Igreja.
Enfim, é outro que não merece nenhuma consideração.
O Outro é Joviniano, que não por coincidência era outro herege. Entre suas crenças podemos trazer:
1. Uma virgem não é melhor aos olhos de Deus do que uma mulher casada.
2. Uma pessoa batizada com o Espírito Santo não pode cair no pecado. Sobre isso diz: "os que com plena certeza de fé que nasceram de novo no batismo, não pode ser derrubado pelo diabo."
3. Todos os pecados são iguais.
4. Há apenas um grau de punição e recompensa no futuro estado.
Esse herege foi condenado pelo sínodo de Roma, sob Papa Sirício e pelo sínodo de Milão, convocado por Santo Ambrósio.
Tempos depois ele ainda é lembrado por Santo Ildefonso de Toledo: “Não quero ver-te [Joviniano] questionar sobre o pudor de nossa Virgem no parto, não quero ver-te corromper a sua integridade na geração; não quero saber violada sua virgindade no momento em que deu à luz. Não lhe negues a maternidade porque foi virgem; não a prives da plena glória da virgindade, porque foi mãe. Se uma dessas coisas tu confundes, em tudo erraste. Desconhecer a harmonia que as une é ignorar por completa a verdade que encerram. Se não pensas assim estas errado, pecas contra a justiça. Se negas à Virgem sua maternidade ou sua virgindade, injurias grandemente a Deus.” (Patrologia Latina 96,58, 617-667 d. C.).
O próximo é Bonoso, herege, que teve suas obras condenadas pelo Decreto Gelasiano e foi condenado por um sínodo de Sto. Ambrósio. Suspeita-se ainda que o mesmo negava a divindade de Cristo, pois seus seguidores negavam esse dogma. Sobre ele, Anísio, bispo de Tessalônica, escreve ao Papa Sirício, indignado por sua descrença na virgindade de Maria, ao que o Papa responde:
"É natural que tenha sentido horror ao ouvir dizer que do ventre de Maria, do qual nasceu Cristo segundo a carne, tenham nascido outros filhos. Jesus Cristo não teria escolhido nascer de uma virgem se soubesse que ela se contaminaria por meio da união com um homem, manchando o lugar onde Ele havia repousado, a corte do Rei Eterno. Esta afirmação nada mais é do que a aceitação da falsa doutrina judia, segundo a qual Cristo não nasceu de uma virgem".
Resta-nos Nestório. Ele além de negar sua virgindade perpétua, negava sua maternidade divina.  Acreditava que em Cristo havia duas pessoas distintas, uma humana e outra divina, completamente independentes uma da outra. Ele foi condenado como herege pelo concílio de Éfeso em 431. O primeiro a acusá-lo de heresia foi um leigo, Eusébio de Doriléia, mas seu combatente mais assíduo foi São Cirilo.
Vemos que os apontados pelos protestantes dos ortodoxos tira-se todos, obviamente, sobrando os hereges condenados pela santa Igreja pela negação da virgindade de Maria e por outras heresias. Notamos que quando esses se pronunciaram foram duramente repreendidos pelos bispos em sua época e condenados. Nenhum deles diz estar falando o que os antigos Pais criam, ao contrário, do que Sto. Ambrósio, Sto. Agostinho, etc. faziam como referência. E não há de se comparar o número de Pais da Igreja que defendiam sua virgindade com algumas vozes hereges que de tempos em tempos foram aparecendo de forma isolada. Os hereges que faziam tal injúria sabiam que eram vozes a ermo na Igreja. Fundamentavam-se apenas numa leitura fundamentalista da Bíblia e, por vezes, por outros hereges. Essa cadeia de acusações nunca terá fim com a existência de heresias, mas nunca poderá ser embasada pela Sagrada Tradição. Lembrem-se os protestantes que todas essas seitas com suas heresias foram aos poucos caindo, só quem ficou foi a Igreja Católica e a integridade de sua doutrina, a que ficará “até o fim dos tempos.” (Mt 28, 20)
Para Citar

MONTEIRO, Nelson. Apologistas Católicos: Os Pais da Igreja sobre a virgindade de Maria;Disponível em: <http://apologistascatolicos.com.br/index.php/patristica/estudos-patristicos/484-os-pais-da-igreja-sobre-a-virgindade-de-maria>. Desde: 28/11/2011.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Por que o pobre príncipe dos Apóstolos foi o escolhido?





PERGUNTA (anônimo):


Meus irmãos,vejo em seus confrontos de entendimento uma ânsia de defender,melhor a aquele que nos criou:O DEUS TODO PODEROSO!!!!
PARABÉNS PELOS ESCLARECIMENTOS QUE ADQUIRI! 

POR FAVOR! ME ESCLAREÇAM:POR QUE PEDRO FOI O ESCOLHIDO PARA SER REPRESENTANTE DA IGREJA DE DEUS? SE ELE COMETEU DIVERSOS FRACASSOS EM RELAÇÃO AO ASSUMIR SE DISCÍPULO DE JESUS? 



RESPOSTA:



Meu caro, por que o espanto? De certo, Deus não "escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes" (1 Cor 1,26)? Além disso, não está escrito que Deus "não vê como vê o homem" (1 Sm 16, 7)? Sua questão parece colocar que São Pedro não era digno de receber tão grande ministério. E é verdade, ninguém o seria. Veja que na própria confissão Jesus deixa claro que não foi a carne que a ele revelou, "mas o Pai, que estás no Céu" (Mt 16,17). Compreenda, foi a pura graça divina, sem ela não somos capazes de absolutamente nada. Logo, se São Pedro mereceu ouvir que sobre ele a Igreja seria edificada é porque Deus o fez merecer. E este merecimento se deu mediante a fé firme que São Pedro tinha, apesar de tudo, como nos ensinaram os Pais da Igreja. Indagações seguintes como: Por que ele? Por que não este ou aquele? Por que uns parecem receber mais graças do  que outros? São questões que até os grandes doutores da Igreja chamariam de tolas. Não cabe a nós a compreensão da Providência divina, por que age assim ou 'deixa' de agir...


Finalizo com um trecho de São Francisco de Sales:


“Vede, rogo-vos, Teótimo, o pobre príncipe dos Apóstolos todo entorpecido no seu pecado na triste noite da paixão do seu mestre; ele nem sequer pensava em se arrepender do seu pecado, como se nunca houvesse conhecido seu divino Salvador; e, qual mesquinho ápode jacente em terra, nunca se teria levantado se o galo, como instrumento da divina Providência, não tivesse batido com seu canto aos ouvidos dele, ao mesmo tempo que o doce Redentor, deitando um olhar salutar como uma seta de amor, transpassou aquele coração de pedra, que depois verteu tantas águas, à guisa da antiga pedra quando foi ferida por Moisés no deserto. Mas vede de novo esse apóstolo sagrado dormindo na prisão de Herodes, ligado por duas cadeiras: ele lá está na qualidade de mártir e todavia representa o pobre homem que dorme em meio ao pecado, prisioneiro e  escravo de Satanás. Ai! Quem o libertará? O anjo desce do céu e, batendo no flanco do grande São Pedro prisioneiro, acorda-o, dizendo: Eia, levanta-te (At 12,7), e a inspiração vem do céu como um anjo, a qual batendo direito no coração do pobre pecador, excita-o a fim de que se levante da sua iniquidade. (...) Nós estamos despertos, mas não fomos despertados por nós mesmos, foi a inspiração que nos despertou, e, para nos despertar, nos abalou e sacudiu.” (Tratado do Amor de Deus, Livro 2, cap. IX)


Viva o Papa!,


Nelson Monteiro.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

A Crise na Igreja Católica - Índice


A CRISE NA IGREJA CATÓLICA


SÃO PIO X

Comparação entre o Catecismo de São Pio X e o Catecismo da Igreja Católica
SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA

A verdadeira espiritualidade cristã (Em breve)

Resumo e comentário do Tratado da Oração e da Meditação (Em breve)
SÃO TOMÁS DE AQUINO

Comentário da Encíclica Æternis Patris (Em breve)
NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

A Devoção do Terço e a Penitência (Em breve)

A Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria (Em breve)
NOSSA SENHORA DE LA SALETTE

As palavras de La Salette sobre os sacerdotes (Em breve)

sábado, 31 de março de 2012

Neo-ateísmo, fruto nefasto do socialismo

O neo-ateísmo ou antiteísmo consiste não só na negação das crenças em divindades, mas também na busca de sua ruína. Esse novo tipo de ateu insiste que é seu dever “moral” arrancar a cegueira religiosa para a construção de um mundo melhor e mais justo. Esse pensamento utópico encontra eco na música de John Lennon, Imagine, tido por alguns neo-ateus como seu hino. Ela diz: “...E nenhuma religião também. Imagine todas as pessoas vivendo a vida em paz”. Até aqui, incrivelmente, encontramos duas semelhanças do ateísmo mitigado com as religiões: conversões e hinos. Mas o que me leva a escrever este artigo não é mostrar as semelhanças ou dessemelhanças do ateísmo com a religião nem suas contradições. Venho mostrar de onde é que saiu, que mãe impura gerou o ateísmo militante. O que diferencia um ateu clássico de um neo-ateu é, justamente, o combate cultural. A importância de não medir forças para a destruição da religião e a imaginação que disto o mundo progredirá. O neo-ateu quer desenraizar a cultura religiosa da sociedade, temos como exemplo disso sua luta para a extinção de crucifixos nas repartições públicas aqui no Rio Grande do Sul, no Tribunal de Justiça, obtiveram vitória. Um dos ateus militantes da atualidade mais conhecidos, Sam Harris, deixa claro que esta é a estratagema dos novos ateus. Ele já disse: “Então, ridicularização pública é um princípio. Uma vez que você deixa de lado o tabu que é criticar a fé e exige que as pessoas comecem a falar com sentido, então a capacidade de fazer as certezas religiosas parecerem estúpidas fará nós começarmos a rir na cara das pessoas que acreditam aquilo que Tom DeLays, que Pat Robersons do mundo acreditam. Nós vamos rir deles de uma maneira que será sinônimo de excluí-los do nossos salões do poder.” Richard Dawkins, outro ateu do mesmo nível,  chegou a criar uma fundação para combater as crenças nas escolas britânicas. Segundo este último é extremamente necessário combater o "o vírus da fé". Tais atitudes são facilmente percebidas em fóruns e redes sociais na internet. Não há como negar a atitude ateia mudou. Mas isto, mesmo que eles não saibam é influência da esquerda. Foi próprio do socialismo essa luta contra a religião por considerá-la um impedimento para a consolidação da revolução. Sua existência só vigoraria para o mal. O grupo “Sem-Deus” não diferiu em nada com sua propaganda com as dos ateus militantes atuais Nas palavras de Lênin a famosa expressão de Marx, “a religião é o ópio do povo”, tem seu sentido bem explicado: “A religião [e um dos aspectos da opressão espiritual que as massas populares, esmagadas pelo trabalho perpétuo em proveito de outrem, pela miséria e pelo isolamento sofrem por toda a parte (...) Aos que vivem do trabalho alheio, a religião ensina a beneficência neste mundo, oferecendo-lhes assim uma justificação fácil da sua existência de exploradores, e vendendo-lhes barato bilhetes de ingresso no céu. A religião é o ópio do povo... uma espécie de álcool no qual escravos afogam a sua imagem humana e a sua reivindicação duma existência, por pouco que seja, digna do homem”. 

Vejamos mais, abaixo alguns escritos de ateus socialistas neste sentido:

Scheinman, adjunto de Yaroslavsky: “O nosso ateísmo é um ateísmo militante, e, por isso, distingue-se do ateísmo burguês. Ele ataca todas as fortalezas do antigo mundo, assim como a sua ideologia. Não se trata de uma coexistência pacífica com o clero, mas duma luta implacável contra a religião, para a reeducação dos trabalhadores que ainda seguem a Igreja. É este nosso escopo” “Ainda mais espírito militante, ainda mais intransigência anti-religiosa”. (Bezbojnik, agosto de 1935)

E. Yaroslavsky: “O programa Internacional Comunista estabelece (...) claramente que os Comunistas lutam contra a religião, força contra-revolucionária, aliada e arma da burguesia contra o movimento revolucionário”; “Se o mundo é governado por Deus, se a sorte do povo está nas mãos de Deus, dos seus santos, dos anjos, dos demônios, que sentido atribuir ao esforço organizado dos operários e dos camponeses, e a criação do partido leninista! Que sentido restará à reconstrução socialista da Sociedade? (...) Devemos, pois, convencer as massas de que o comunismo e a religião se opõem” (Opúsculo citado, PP. 21 e 30-31)

Yaroslavsky-Goubelmann: “Nada de repouso, nada de trégua na frente anti-religiosa! É preciso dar uma atividade nova a essa frente, reorganizar a propaganda, melhorar os quadros! Pôr em ação, não somente a crítica das ligações sociais da religião, mas também a crítica científica, mostrar o abismo que separa a ciência da religião, auxiliar as massas a transpor esse abismo...” (Bezbojnik de agosto de 1935)

Lênin: “No que concerne ao partido do proletariado socialista, a religião não é uma questão privada. Nosso partido(...) o partido operário social-democrata da Rússia, por ocasião da sua fundação, deu-se por finalidade, entre outras, a de combater toda animalização religiosa dos operários. Para nós, a luta das ideias não é uma questão privada; interessa a todo o partido, a todo proletariado” (Artigo-programa da “Novaia Jizn”)

 “Devemos combater a religião, é o A.B.C  de todo o materialismo e, portanto, do marxismo” (LENIN, VLADIMIR ILITCH ULIANOV, Sur le rapport du parti ouvrier à la religion, Pss.vol.17.p.418.)

“A luta contra a religião é a luta pelo socialismo” (Divisa da União dos Sem-Deus Militantes)

O comunista é obrigado a “lutar contra a religião, inflexível e sistematicamente”. (Programa oficial da IIIª Internacional)

 “unir as massas operárias da U.R.S.S. em mira a uma luta ativa, sistemática e continua contra todas as religiões, que são um obstáculo a construção socialista e à cultura revolucionária”. (Estatuto (1º.) da União dos Sem-Deus Militantes)

Stepanoff: “Devemos agir de maneira que cada golpe vibrado contra o clero ataque a religião em geral(...) Ainda os mais cegos veem até que ponto se torna indispensável a luta decisiva contra o eclesiásticos, quer se chame pastor, abade, rabino, patriarca, mulá ou papa; essa luta deve desenvolver-se também, e inelutavelmente, “contra Deus”, quer se chame Jeová, Jesus, Buda ou Alá”. (Os problemas e os métodos da propaganda anti-religiosa, Moscou, 1933, citado pela Documentação católica, 19 de abril de 1930, col. 1010)

Se as frases não bastam, vamos paras os posters:


Tradução: Religião é veneno 
Proteja as crianças


Tradução: A religião é entorpecente para o povo.

Charges parecidíssimas encontramos nas publicações da ATEA (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos). As semelhanças não são meras coincidências, o neo-ateísmo é filho do socialismo. São bem diferentes das pretensões dos primeiros sistemas ateus formados a partir do século XVIII.

Nelson Monteiro.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Posse comum segundo Santo Tomás





"11. Os males que se seguiriam da lei da comunidade das posses de Sócrates. 


Se as posses fossem comuns a todos os cidadãos, não seria possível que todos os cidadãos cultivassem os campos. Seria necessário que os maiores se ocupassem dos negócios maiores, enquanto que os menores se ocupassem da agricultura. Todavia, seria necessário que os maiores, que menos teriam trabalhado na agricultura, mais recebessem de seus frutos. Ora, por causa disso necessariamente se originariam acusações e litígios, na medida em que os menores, que mais teriam trabalhado, murmurariam dos maiores que, pouco trabalhando, muito receberiam, enquanto que eles mesmos, ao contrário, menos receberiam, embora mais tivessem trabalhado. Ademais, é muito difícil que muitos homens, ao conduzirem uma vida comum, comuniquem em alguns bens humanos e principalmente nas riquezas. De fato, vemos que aqueles que 
comunicam em algumas riquezas têm muitas dissenssões entre si, como é evidente naqueles que viajam juntos; freqüentemente, de fato, discordam, quando fazem as contas, naquilo que gastam em comida e em bebida e às vezes por pouco se agridem e ofendem por palavras e obras. De onde que é evidente que, onde todos os cidadãos tivessem em comum todas as posses, isto [lhes seria causa para] a existência de muitos litígios. Finalmente, os homens são maximamente ofendidos pelos servos dos quais muito necessitam para certos ministérios servis, o que ocorre por causa da comunidade da conversação da vida [que desta necessidade decorre]. De fato, aqueles que não convivem freqüentemente não se turbam com freqüência. De onde que é evidente que a comunicação entre os homens existentes é freqüentemente causa de discórdia.



12. Os bens que se impediriam pela lei da comunidade das posses de Sócrates. I.

Se se ordenasse nas cidades conforme agora se ordena, isto é, que as posses sejam divididas entre os cidadãos, e isto fosse ordenado por belos costumes e justas leis, isto produziria uma grande diferença em uma muito maior bondade e utilidade em relação ao que Sócrates propunha. [Nesta ordenação encontrar-se-ia] o bem de dois modos, tanto na medida em que as posses seriam tidas como próprias, quanto na medida em que seriam tidas em comum. Se, de fato, as posses forem próprias, e se ordene por leis e costumes retos que os cidadãos comuniquem entre si com seus próprios bens, este modo de vida possuirá o bem que pertence tanto aos dois modos [anteriormente mencionados], isto é, à comunidade das posses e à sua distinção. De fato, é necessário que as posses, simplesmente consideradas, sejam próprias quanto à propriedade do domínio, mas que, de algum modo, [também] sejam comuns. Pelo fato de que as posses são próprias, segue-se que a busca [e o cuidado] da posse seja dividida, na medida em que cada um cuida 
de sua própria posse. Disto seguem-se dois bens, dos quais o primeiro é que, na medida em que cada um se intromete de si no que lhe é próprio e não no que é de outro, não se produzindo os litígios que entre os homens costumam originar-se quando muitos devem ocupar-se de uma mesma coisa, na medida em que a um parece que deva proceder- se de um modo e a outro parece que deva proceder-se de outro. O segundo bem é que cada um mais aumentará a sua posse insistindo nela mais solicitamente como algo de próprio. 
Deste modo as posses serão divididas, mas por causa da virtude dos cidadãos, que serão liberais e propensos a fazerem o bem entre si, estas posses serão comuns segundo o uso, assim como se 
afirma no provérbio, que as coisas que são do amigo são comuns. Para que isto não pareça a alguém como coisa impossível, o Filósofo acrescenta que em algumas cidades bem ordenadas foi estabelecido que algumas coisas fossem de fato comuns quanto ao uso, outras se tornassem comuns pela vontade de seus próprios 
donos, na medida em que alguém, tendo sua própria posse, dirigisse alguns de seus bens para a utilidade de seus amigos e estes amigos utilizassem estes bens por si mesmo como de coisas comuns.
Assim era na cidade dos Lacedemônios, na qual alguém poderia usar o servo do outro ao seu próprio serviço como se fosse um servo próprio. Semelhantemente poderiam usar também cavalos, cães e veículos dos outros como se fossem seus, se necessitassem deles para irem a um campo situado na mesma região. De onde que é manifesto que é muito melhor que as posses sejam próprias segundo o domínio, mas que se tornem, de algum modo, comuns quanto ao uso. Como, porém, o uso das coisas próprias possa se tornar comum, isto pertence à providência do bom legislador.



13. Os bens que se impediriam pela lei da comunidade das posses de Sócrates. II. 


Não é coisa fácil narrar o quanto é deleitável que alguém considere algo como próprio. Esta deleitação procede de que o homem ama a si mesmo; é por causa disso, de fato, que ele deseja bens para si. 
Não é uma coisa vã que alguém tenha amizade para consigo mesmo; ao contrário, trata-se de algo que pertence à natureza. Todavia, às vezes alguém é com justiça vituperado por amar a si mesmo; quando, porém, alguém é vituperado por este motivo, não o é por amor a si mesmo simplesmente falando, mas por fazê-lo mais do que o deveria. Ora, esta deleitação produzida pela posse de coisas próprias é removida pela legislação se Sócrates. 



14. Os bens que se impediriam pela lei da comunidade das posses de Sócrates. III. 


Ademais, é muito deleitável para o homem que ele possa doar ou auxiliar os amigos, ou mesmo os estranhos ou quem quer que seja. Mas isto não se pode fazer se o homem não possui algo como sua possessão. Este bem também é removido pela legislação de Sócrates que proíbe a propriedade de posses. Aqueles que querem unir excessivamente a cidade desta maneira, manifestamente eliminam com isto a obra das virtudes. Os que introduzem a comunidade de posses removem com isto o ato da liberalidade. Não poderá manifestar-se que alguém seja liberal, nem alguém poderá exercer o ato da liberalidade, se não tiver posses 
próprias, no uso das quais consiste a obra da liberalidade. O homem liberal gasta e doa o que é próprio; mas, se alguém dá o que é comum, isto não pertence propriamente à liberalidade. Todos estes inconvenientes acontecerão àqueles que quiserem unir excessivamente uma cidade introduzindo nela a comunidade das 
mulheres, dos filhos e das posses.



15. O motivo pelo qual as leis de Sócrates seduziram a muitos. 


As leis propostas por Sócrates parecem boas [quando consideradas  em sua] superfície, e parecem amáveis aos homens por dois motivos. O primeiro se deve ao bem que alguém espera como futuramente proveniente de tais leis. De fato, quando alguém ouve dizer que entre os cidadãos tudo será comum, recebe isto com alegria, considerando a amizade admirável que haverá por causa disso no futuro entre os homens de todos para com todos. O segundo motivo se deve aos males que os homens consideram que seriam removidos por meio de tais leis. De fato, muitos atribuem os males que hoje se fazem nas cidades, como as querelas que há 
entre os homens por causa de contratos, os julgamentos baseados em falsos testemunhos, a adulação dos pobres por parte dos ricos, como tendo a sua causa no fato de que as posses não são comuns. Mas, se alguém considerar corretamente, nenhuma destas coisas se deve ao fato das posses não serem comuns, mas sim à malícia dos homens. Ao contrário, o que se observa é que aqueles que possuem coisas em comum muito mais litigiam entre si do que aqueles que possuem posses separadas. Como, porém, são poucos aqueles que tem posses em comum em relação aos que as tem divididas, por causa disso um menor número de litígios procede da comunidade de posses. Se, entretanto, todos tivessem tudo em comum, muito 
maior número de litígios haveria. O homem não deve considerar apenas quantos males são evitados 
por aqueles que têm as posses em comum, mas também de quantos bens estes se privam. O legislador deve tolerar alguns males para que não se impeçam bens maiores. Ora, tantos são os bens impedidos por estas leis propostas por Sócrates, que a própria convivência parece tornar-se impossível, como é evidente pelos 
inconvenientes acima mencionados."


(Santo Tomás de Aquino e Pedro de Alvérnia, Comentário à política de Aristóteles, Livro II, cap. 1, 11-15)

domingo, 25 de março de 2012

A fé e a caridade



A Doutrina Católica sempre condenou a “Sola Fide”, isto é, que somos justificados somente pela fé independente das boas obras. Lutero, tendo em vista sua vida pessoal, trouxe uma teologia pessimista, concluindo que a vontade é incapaz de um ato moral. O pobre monge Lutero sentia ódio à paz, atacava violentamente os observantinos, que chamava de “justitiarii”, por compreenderem a busca da santidade não como desespero, intranquilidade, mas em confiança a graça de Deus e a busca por cumprir o seu dever. Isto o fez reprovar as indulgências porque fixariam o homem nessa segurança “nefasta” que ele denuncia como “a grande tentação da Igreja”. Ser humilde, para ele, não é reconhecer em si os dons de Deus, nem em obedecer alegremente às suas vontades e desejos. Ser humilde é acusar a si mesmo, desprezar-se e banir a própria alma de qualquer tranquilidade e paz para consigo. É impossível entender a Sola Fide, sem antes voltar os olhos ao que há por trás disso. Só aí podemos entender a “fé-confiança” defendida por ele, isto é, persuasão subjetiva de ser justificado por Cristo, mesmo sem as boas obras. Eis que tiramos dois dogmas do protestantismo: a justificação passiva e a fé-confiança. Não se deve também esquecer as tendências gnósticas de Lutero tiradas do pensamento de Mestre Eckhart, além disso, o Mestre Geral de sua Ordem, quando na revolta luterana, era o cardeal Guido de Viterbo, que foi um dos famosos cristãos cabalistas da Renascença. As semelhanças ao que pregavam os hereges gnósticos são muito claras. Vejamos, por exemplo, o que Santo Irineu dizia sobre os discípulos de Simão Mago:

“Pois, segundo eles, os homens podem salvar-se pela graça, mas não pelas obras justas. Com efeito, não há obras boas por natureza, mas somente por convenção, como dispuseram os Anjos criadores para manter escravos os homens por meio destes preceitos” (Contra Heresias, I, XXIII, 3)

O gnóstico Marcion ensinava o mesmo a respeito da inutilidade das boas obras:

“Para o tempo que lhes falta viver na terra, a conduta dos crentes é ditada não tanto por um cuidado positivo em santificar suas vidas como por um interesse negativo em reduzir o contato com o domínio do Criador. É pela fé somente que se pode antecipara na terra a felicidade futura.” (Jonas, Hans. La religion gnostique, p. 187)

Segundo Santo Irineu, também essa doutrina, com uma maneira mais estendida, era crida pelos carpocráticos:

“[...] eles acrescentam que Jesus ensinou a seus apóstolos uma doutrina secreta e que os encarregou de transmiti-la àqueles que a soubessem compreendê-la. São a fé o amor que salvam. Todo o resto é indiferente e apenas a opinião humana coloca distinções entre o bem e o mal.” (Lacarrière, Jacques. Les gnostiques. P. 93 & Leisegang, Hans, La Gnose, p. 185-186.)

Também temos um texto valentino, citado por Santo Irineu, que diz:

“A salvação do “perfeito” dá-se de uma maneira quase automática: Não é a obra que faz entrar no Pleroma, mas a semente enviada de lá como uma criancinha e que torna perfeita aqui em baixo” (Contra Heresias, I, 6, 4)

Mas não basta demonstrarmos o histórico desta doutrina para os evangélicos, é preciso explicar onde foi que Lutero errou, por que este não compreendeu as cartas de São Paulo. Para isto, faz-se necessário fazer duas definições, o que é a fé e o que é a caridade. Digo caridade, pois as boas obras não fundadas nela não têm valor algum. Qualquer um pode fazer boas obras, mas não é qualquer um que tem o dom da caridade, pois para isto é necessário a fé. Por isso São Paulo nos diz: “Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada valeria!” (I Coríntios 13,3)

Também Santa Teresa de Jesus, doutora da Igreja:

“Assim como o cristal pode refletir o resplendor do sol, a alma ainda é capaz de fruir de Sua Majestada. Todavia, isso não se beneficia em nada, daí decorrendo que todas as boas obras que fizer, estando em pecado mortal, são de nenhum fruto para alcançar a glória. Isto porque não procedem do princípio pelo qual nossa virtude é virtude – Deus -, mas nos apartam Dele, não podendo ser agradáveis aos Seus olhos.” (Castelo Interior, Primeiras Moradas, cap. 2)

Seguindo a definição em Hebreus podemos repetir “a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem.”(11,1) Assim, podemos dizer ter fé é crer em Deus, acreditar é assentir na opinião de outrem, e isto, se dá por meio do intelecto. A fé é um dom de Deus. Como nos diz São Paulo: “ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, senão sob a ação do Espírito Santo.”(I Coríntios 12,3) Em outra passagem deixa bem claro: “Isto não provém de vossos méritos [a fé], mas é puro dom de Deus.” (Efésios 2,8)

Agora, quanto à caridade. Caridade, segundo o Doutor Angélico, Santo Tomás, significa não só o amor de Deus, mas também uma certa amizade para com Ele, “a qual acrescenta ao amor a retribuição acompanhada de comunicação mútua”, ou seja, a caridade se manifesta pelo modo de operar, nas boas obras. Segundo o livro Eclesiástico, arrancado por Lutero, em Deus “residem a caridade e as boas obras” (Eclesiástico 11,15) São Paulo é bem categórico, segundo ele, a caridade “é o pleno cumprimento da lei.” (Romanos 13,10) Também a caridade é dom de Deus, pois é dada pelo Espírito Santo (cf. Romanos15,30) E, por fim, resta dizer que a caridade é maior que a fé e a esperança, pois lemos: “Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade - as três. Porém, a maior delas é a caridade.” (I Coríntios, 13,13) 

Definições claras que apresentam por quê uma e outra não se separam, mas andam juntas, uma relacionada com a outra. Infelizmente, por culpa do livre exame, os evangélicos confundem o que a Santa Igreja deixa resplendente. A partir de uma má leitura de alguns versos concluem que só a fé justificaria. O exemplo disso se vê na interpretação dada por eles para Efésios 2,8 que diz: “Porque é pela graça que fostes salvos mediante a fé. Isto não provém de vossos méritos, mas é puro dom de Deus” Disto concluem que falar de boas obras é por fim à gratuidade da salvação. Isto não é verdade. A salvação continua sendo gratuita, a fé e a caridade são dons de Deus, e nós podemos possuí-los porque Ele nos amou primeiro. Não provém de nossos méritos, nem mesmo pela aceitação da fé, a salvação. Somos justificados pela fé e pelas obras, mas não são esses dois dons que nos fazem merecer a salvação, pois quem nos salva é Deus. Em sentido contrário, São Tiago pergunta: “Vedes como o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé?” (Tiago 2, 24) E um pouco antes: “Assim também a fé: se não tiver obras, é morta em si mesma.” (v. 17) Mas na tentativa de escapar desses versos, sem negarem a autenticidade da carta de Tiago como fez Lutero, alguns evangélicos dizem que não existe fé se não há boas obras. E entre outros sofismos dizem: “a fé que não pratica não acredita”. Isto é muito nebuloso! Demos acima a definição de fé e de nada ela é prejudicada por não haver boas obras. Ainda, em todo o capítulo onde fala São Tiago, ele nunca nega que haja, realmente, uma fé. Entre outras coisas diz: “Acaso esta fé poderá salvá-lo?” (v. 14) Além disso, uma fé não pode ser morta caso não exista, simplesmente, não seria nada. São Tiago, no fim do capítulo, faz a seguinte analogia: “Assim como o corpo sem a alma é morto, assim também a fé sem obras é morta.” (v.26) Ora, assim como o corpo existe, mesmo sem a alma que dá a vida, assim também a fé existe mesmo sem as obras que lhe dão a vida. 

Mas em alguma coisa os evangélicos estão certos, não pode existir caridade sem fé. A fé precede a caridade na ordem da geração, pois como nos ensina Santo Tomás: “é pela fé que o intelecto capta o que ele espera e ama. Portanto, na ordem de geração a fé tem que preceder a esperança e a caridade. Da mesma forma, se se ama alguma coisa é por apreendê-la como boa para si.” (ST IV, Q. 62, art 4) Em Hebreus 11, 6 isso é deixado claro quando se diz: “sem a fé é impossível agradar a Deus.” Ou ainda em Provérbios: Eu amo aos que me amam. (Pr 8,17) Santo Tomás nos diz: “E esta sociedade do homem com Deus que é, de algum modo, uma conversação familiar com ele, começa na vida presente pela graça e se completará na futura, pela glória. E ambas essas coisas nós as obtemos pela fé e pela esperança. Por onde, assim como não poderemos ter amizade com alguém se descrermos ou desesperarmos de poder ter com o mesmo alguma sociedade ou familiar conversação, assim não poderemos ter amizade com Deus, que é a caridade, se não tivermos a fé, que nos faz crer nessa sociedade e conversação com Deus, e se não esperarmos pertencer a essa sociedade. E portanto, sem a fé e a esperança a caridade não pode existir de nenhum modo.” (ST IV, Q. 65, art. 5) Se poderá perguntar: E as obras realizadas antes da fé? Responde-se com Hugo de S. Vitor: “As boas obras, realizadas antes da fé, ainda que não aproveitem para merecer a vida, aproveitam, todavia, para recebê-la, como pareceu a alguns e como fica manifesto no centurião Cornélio.” (Anotações à epístola aos Romanos, questão nonagésima nona)

Falemos, agora, na ordem da perfeição que é justamente ordenado de forma contrária, como nos diz Santo Tomás: “Na ordem de perfeição, porém, a caridade precede a fé e a esperança, porque tanto a fé como a esperança estão informadas pela caridade e adquirem a perfeição de virtude. Assim, pois, a caridade é mãe de todas as virtudes e a sua raiz, enquanto a forma de todas elas...” (ST IV, Q. 62, art 4) Por isso, a caridade é dita maior que a esperança e a fé, ou seja, é dela que adquirem a perfeição de virtude, não sendo só apreensão do intelecto. Ainda usando a autoridade de Santo Tomás se responde: “Assim, pois, a fé e a esperança podem, por certo, existir de algum modo sem a caridade, mas, sem esta, não podem realizar a noção perfeita da virtude. Pois, como a fé tem por objeto crer em Deus, e como crer é assentir na opinião de outrem, por vontade própria, o ato da fé não será perfeito, se a vontade não quiser do modo devido. Ora, só influenciada pela caridade, que aperfeiçoa a vontade, pode esta querer do modo devido; porquanto, todo movimento reto dela procede do amor, no dizer de Agostinho4. Por onde, a fé pode, certamente, existir sem a caridade, mas não como virtude perfeita; assim como a temperança ou a fortaleza não podem existir sem a prudência. E o mesmo se deve dizer da esperança, cujo ato consiste em ter em expectativa a futura beatitude dada por Deus. Esse ato será perfeito se se fundar nos méritos que já temos, o que não pode ser sem a caridade. Mas, se essa expectativa se fundar nos méritos que ainda não temos, mas que nos propomos adquirir no futuro, o ato será imperfeito, e pode existir sem a caridade. E portanto, a fé e a esperança podem existir sem a caridade, mas, sem esta, propriamente falando, as virtudes não existem; porque, a virtude, por essência, exige não somente que obremos de acordo com ela, mas ainda, que obremos retamente, como se disse” (ST IV, Q. 65, art 4)

De fato, a fé é cooperada pelas obras e é completada por elas. 

Assim, termino este artigo citando Santo Tomás, o que não me é cansativo. Sua regra de ouro:
"Três coisas são necessárias à salvação do homem, a saber: a ciência do que se há de crer, a ciência do que se há de desejar, e a ciência do que se há de operar." (O Mandamento da Caridade, Intr.)


Nelson Monteiro.
 
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